PROGRAMA NB FIT CARDIOPATIA

O que é Cardiopatia?

Criação - Prof. Guilherme Sá

Coordenação - Prof. Guilherme Noira

Cardiopatia é o termo que abrange todas as doenças que acometem o coração sendo elas as doenças do miocárdio, cardiopatias congênitas, infecções cardíacas, valvulopatias, cardiopatia isquêmica e hipertensiva.

Epidemiologia

Epidemiologicamente, de acordo com a OMS (2007) as doenças cardiovasculares foram responsáveis por 30% de mortalidade, tendo um indivíduo a possibilidade de desenvolver uma cardiopatia em uma estimativa de 15% em um período de 10 anos. Tendo uma possibilidade de 90% de desenvolver um infarto agudo do miocárdio (IAM) caso os hábitos não sejam modificados. Não obstante, as incapacidades geradas pelas doenças cardiovasculares tendem a aumentar passando de 85 milhões de pacientes para 150 milhões de pacientes até 2020.

No brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) estima-se que cerca de 345,111 pessoas morreram devido a algum tipo de doença cardiovascular, tendo um aumento em mortalidade de 82,73% no período de 2004-2015. Neste quadro temos uma predominância das mortes por isquemia cardíaca (com destaque para o IAM) atingindo 54,6 pessoas por 100 mil habitantes no ano de 2013, neste ano também, tivemos um pico de 23,9 mortes por 100 mil habitantes causadas por doenças hipertensivas destacando a hipertensão arterial sistêmica (HAS) (SBC, 2015). Em 2011 estudos já identificavam as cardiopatias como a principal causa de morte entre homens e mulheres no Brasil, sendo responsáveis por 20% das mortes em indivíduos maiores de 30 anos.

Andando em parceria com estes dados temos que as doenças cardiovasculares em crianças vêm se manifestando cada vez mais, atingindo entre 8 a 10 crianças em cada 1000 nascidos segundo Junior et al (2002). Esses dados deixando claro a necessidade de uma política de intervenção cada vez maior sobre este tipo de manifestações cardiopatológicas.

Dentro dessas patologias temos um fator agravante muito importante e que vem crescendo cada vez mais, a HAS, sendo uma das causas mais comuns de IAM e acidente vascular encefálico (AVE). Um levantamento feito, em 2015, nos Estados Unidos da América constatou que a HAS estava presente em 69% dos pacientes que vieram a desenvolver um IAM, 77% que desenvolveram AVE, 75% com insuficiência cardíaca (IC), e 60% com doença arterial periférica (DAP).
No Brasil a HAS acometa cerca de 36 milhões de indivíduos adultos (32,5%) sendo um dos principais contribuintes para a morte por doença cardiovascular (SBC, 2016), de 2004 a 2013 houveram 411,529 óbitos por doenças hipertensivas ou HAS equivalendo a 3,74% do número total de óbitos no Brasil neste período (SBC, 2015). Segundo dados estatísticos a morte por cardiopatias aumenta progressivamente a elevação da pressão arterial (PA) a partir de 115/75 mmHg (SBC, 2010). Estimativas em cidades brasileiras no decorrer dos últimos 20 anos apontaram prevalência de HAS a cima de 30%.

Dentre os fatores de risco prevalentes na etiologia da HAS temos e sobrepeso e a obesidade onde, mesmo entre indivíduos fisicamente ativos, um aumento de 2,4kg/m2 no índice de massa corporal eleva o risco de desenvolvimento de HAS. A ingestão de sal e o sedentarismo também são poderosos fatores de influência na prevalência da HAS (SBC, 2010).

Tipos de cardiopatia

Conheça todos os tipos de cardiopatia.

Cardiopatia congênita


São os defeitos cardíacos presentes desde o nascimento. Nos casos mais graves costuma ser percebida logo que o bebê nasce; nos casos menos graves pode ser diagnosticada quando a pessoa já está na idade adulta.

Doenças no miocárdio


São defeitos no músculo do coração. Em muitos casos, o órgão não consegue bombear o sangue adequadamente.

Infecção no coração


São causadas quando bactérias, vírus, fungos ou parasitas alcançam o músculo cardíaco.

Cardiopatia de válvulas


O coração tem quatro válvulas que abrem e fecham para permitir o fluxo de sangue no órgão. Uma variedade de fatores podem danificar as válvulas, causando a doença.

Cardiopatia hipertensiva


É uma consequência da pressão arterial alta, que pode sobrecarregar o coração e os vasos sanguíneos e causar a doença.

Cardiopatia isquêmica


Causada pelo estreitamento das artérias do coração pela acumulação de gordura, o que leva à diminuição da oferta de sangue para o órgão. A doença pode gerar anginas (dor no peito) ou, nos casos agudos, infarto.

Causas das cardiopatias

Conheça os principais fatores de risco.

Em alguns casos as causas das cardiopatias são desconhecidas, porém, na grande maioria dos casos é possível já se torna possível o mapeamento das causas destas patologias. Sendo estes:

  • Pressão arterial alta de longo prazo
  • Problemas nas válvulas cardíacas
  • Danos nos tecidos do coração de um infarto anterior
  • Aumento da frequência cardíaca crônica
  • Distúrbios metabólicos, como obesidade, distúrbios da tireoide ou diabetes
  • Deficiências nutricionais de vitaminas ou minerais essenciais
  • Gravidez
  • Beber muito álcool ao longo de muitos anos
  • Uso de cocaína, anfetaminas ou esteroides anabolizantes
  • Utilização de algumas drogas quimioterápicas para tratar câncer
  • Hemocromatose
  • Condições genéticas (cardiopatia congênita)

Sintomas

Veja os principais sintomas.

Seus sintomas podem variar muito de acordo com a etiologia da cardiopatia contudo, podemos listar alguns sinais básicos de manifestações clássicas em cardiopatas:

  • Cor de pele cinzenta ou azul (cianose);
  • Inchaço nas mãos, tornozelos e pés;
  • Falta de ar;
  • Falta de fôlego durante atividade física;
  • Fadiga;
  • Batimentos cardíacos irregulares;
  • Tonturas, vertigens e desmaios;
  • Dor no peito.

Tratamento recomendado

Alguns tratamentos indicados.

O tratamento da cardiopatia dependerá muito da proveniência deste quadro, podendo ser tratada com a utilização de fármacos e mudanças no estilo de vida do acometido.

Os medicamentos mais utilizados neste tratamento são os:

Diuréticos

Com a finalidade de auxiliar no balanço hídrico do organismo removendo o excesso de fluidos acumulados no corpo;.

Inibidores da enzima conversora da angiotensina (ECA)

Atuam agindo na via de sinalização do sistema renina angiotensina (principal mecanismo regulador da PAS), bloqueando a ação da ECA fazendo com que haja um “relaxamento” dos vasos sanguíneos e, consequentemente, redução da PAS diminuindo a sobrecarga cardíaca;

Betabloqueadores

Agem no sistema nervoso a fim de reduzir a frequência cardíaca (quantidade de vezes que o coração bate por minuto) levando a uma redução da Pas e da sobrecarga do coração.

Digoxinas

Regula o ritmo cardíaca e aumenta a eficiência de bombeamento sanguíneo do coração.

Exercício físico e cardiopatia

Atualmente muito se tem em voga a prática de exercícios como uma forma de melhorar a saúde, relaxar, diversão, evasão da realidade, convívio social, entre tantas outras possibilidades (Anderson e Shivakumar, 2013). Dentro desta miríade o tipo de exercício que enfocamos é o que se pratica em prol da saúde.

Nos tempos atuais o exercício físico vem se apresentando como uma importante ferramenta para o tratamento não farmacológico para as cardiopatias, múltiplos estudos têm demonstrado correlação inversa entre exercício físico e mortalidade por cardiopatias.

Metodologia

Ao início da sessão de treinamento os pacientes passaram por alongamento passivo respectivos as limitações de cada um. Feito isso, dá-se a prática do treinamento contra resistência com o objetivo de otimizar o funcionamento da bomba muscular para que assim, haja uma melhora no retorno venoso sem esquecer uma melhor estabilização e segurança no arcabouço locomotor. Este treinamento se realizará através de exercícios que visarão estimular os principais grupamentos musculares, sempre sendo suas execuções alternadas por segmento.

Após a fase de treinamento contra resistência caminhamos até o treinamento aeróbico, onde os reais benefícios ao sistema cardiovascular serão obtidos. Este treinamento pode ser realizado em cicloergômetros como esteiras rolantes ou bicicletas ergométricas estacionárias. O treinamento irá se iniciar com uma duração de 20 minutos sofrendo incrementos de 5 minutos a cada duas semanas até atingir 30 minutos. A intensidade do treinamento será monitorada através da frequência cardíaca obtida em teste de esforço onde cálculos serão realizados a fim de, situar o paciente em suja respectiva zona alvo de treinamento.

Referências

  • Organização Mundial de Saúde (2000). Technical report series 894: Obesity: Preventing and managing the global epidemic. (PDF). Genebra: [s.n.] ISBN 92-4-120894-5
  • SBC. 2015. Cardiômetro. In: Cardiômetro: morte por doenças cardiovasculares no Brasil. http://www.cardiometro.com.br/anteriores.asp: sociedade brasileira de cardiologia.
  • SBC. VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão. Arqueivos brasileiros de cardiologia 2010; 95:1-51.
  • Anderson, E., & Shivakumar, G. (2013). Effects of exercise and physical activity on anxiety. Frontiers in Psychiatry, 4(APR), [Article 27]. DOI: 10.3389/fpsyt.