PROGRAMA NB FIT FIBROMIALGIA

O que é fibromialgia?

Criação - Prof. Guilherme Sá

Coordenação - Prof. Guilherme Noira

A Fibromialgia é uma síndrome musculoesquelética não inflamatória e não autoimune que acomete articulações e tecidos moles como músculos e tendões. É complexa, com múltiplos sintomas e que se caracteriza principalmente pela presença de dores nos músculos e tecidos conectivos fibrosos (ligamentos e tendões) específicos e em até 19 regiões do corpo, segundo o American College of Rheumatology (ACR, 2010).

A etiologia da Fibromialgia é desconhecida, no entanto, há evidências sobre alterações metabólicas e de oxigenação nas fibras musculares, como também desequilíbrio entre a percepção dolorosa e os mecanismos das vias aferentes, além da diminuição dos níveis de serotonina e endorfina.

Recentemente, pesquisas tem indicado que esta síndrome se dá devido a um desequilíbrio na forma como o cérebro processa os sinais de dor afetando, assim, a recepção dos neurotransmissores (Schweinhardt, 2008).

Epidemiologia

Esta síndrome data de meados do século XIX, já tendo recebido diversas denominações. Em 1990 o ACR adotou os critérios de diagnóstico que conhecemos atualmente tornando-se, posteriormente, o critério padrão no mundo ocidental.

Atualmente acomete entre 2 a 4% da população no mundo sendo uma prevalência maior entre as mulheres (ACR,2015). Estima-se que no Brasil cerca de 3% da população apresente manifestação da síndrome de fibromialgia com uma faixa etária ente 30 e 55 anos, tendo uma maior incidência, também, entre as mulheres segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR, 2011).

As mulheres chegam a uma proporção de 5 a 9 vezes mais afetadas pela fibromialgia que os homens, e o total da população que apresenta dor crônica difusa gira em torno de 13% (Alane, 2006).

Diagnóstico da fibromialgia

Como não possui um método de diagnóstico direto o médico necessita de realizar uma série de análises para excluir eventuais possibilidades de outros acometimentos, como exames de imagem e metabólicos. Se caso esta análise se mostro producente e exclua a possibilidade de outras doenças o médico deverá tocar nos 18 pontos pré-estabelecidos pelo ACR para constatar se realmente o paciente possui fibromialgia.

Anteriormente o critério para definição se apresentava como o paciente tendo dor em 11 ou mais pontos pelo corpo onde eram realizados manipulação. Atualmente o critério adotado utiliza o índice de dor generalizada (WPI) e a escala de severidade (SS) de sintomas estipulado pela ACR em 2010. Esta mudança permite um diagnosticar os pacientes que não apresentam dor generalizada (Hawkins, 2013).

Estes índices respondem da seguinte forma:

  • O Índice de Dor Generalizada conta com 19 áreas corporais nas quais as pessoas tem experimentado dor nas duas últimas semanas.
  • A Escala de Severidade de Sintomas mede a taxa de fadiga das pessoas, sintomas cognitivos, e sintomas somáticos gerais, cada um com uma escala de 0 a 3, que varia de 0 a 12.
  • O critério revisado para o diagnóstico é: WPI ≥ 7 e SS ≥ 5 ou WPI 3–6 e SS ≥ 9.

Lembrando que: Somente o médico pode dar o diagnóstico; e não existem exames laboratoriais ou radiológicos para diagnosticar a doença. Somente por exclusão.

Causas da fibromialgia

Conheça os principais causas da fibromialgia.

Suas causas ainda são desconhecidas, contudo, muitas possibilidades se mostram passíveis de seu surgimento. Dentre estas se destacam:

  • Alteração na resposta de determinadas substâncias do Sistema Nervoso Central (Serotonina e Noradrenalina)
  • Alteração do padrão do sono REM
  • Estresse Psicológico
  • Doenças imunológicas e endócrinas
  • Lesões musculares
  • Infecções virais
  • Genética sendo esta síndrome recorrente em pessoas da mesma família, o que pode ser um indicador de que existem algumas mutações genéticas capazes de causar esta patologia
  • Mau funcionamento das mitocôndrias das células

Sintomas

Veja os principais sintomas.

  • Dor generalizada
  • Capacidade funcional diminuída
  • Baixa capacidade física
  • Baixa qualidade de vida
  • Isolamento social
  • Baixa autoestima
  • Afastamento das atividades profissionais
  • Secura na boca
  • Incontinência fisiológica
  • Sensibilidade à luz
  • Mudanças de humor
  • Incapacidade cognitiva

Tratamento recomendado

Alguns tratamentos indicados.

O tratamento da fibromialgia envolve o uso de medicamento e atividades físicas visando a redução das incapacidades funcionas do sistema nervoso central e a otimização no funcionamento das mitocôndrias. Por ser uma doença de origem desconhecida, seu tratamento se dá nos sintomas apresentados para que haja uma melhora geral na qualidade de vida.

O tratamento medicamentoso envolve a utilização de:

Antinflamatórios

Bloqueiam a ação de prostaglandinas, que são substâncias que veiculam a dor e a inflamação. Na Fibromialgia, os antinflamatórios não são muito eficazes, porém auxiliam no controle da dor quando associados com outros medicamentos. Os efeitos colaterais mais comuns são: efeitos gastrointestinais, retenção hídrica, toxicidade hepática e renal, fenômenos alérgicos e crise de asma.

Antidepressivos tricíclicos

Possuem ação analgésica indireta, não causam dependência e não possuem efeito narcótico. Promovem aumento de neurotransmissores como serotonina, dopamina e norepinefrina, aumentando o sono profundo, favorecimento da transmissão neuronal mediada por serotonina, potencialização da ação analgésica das endorfinas e relaxamento muscular. Os mais comuns são: Amitriptilinina, Ciclobenzaprina, Imipramina e nortriplitina. Efeitos colaterais: sonolência diurna, secura na boca, embaçamento da visão, obstipação, ganho de peso, retenção hídrica e palpitações.

Inibidores da recaptação da serotonina

Promove aumento da quantidade de serotonina entre os neurônios, reduzindo a fadiga. Melhoram o raciocínio e o ânimo, além de atuarem sobre a dor e promoverem o modesto aumento dos níveis de endorfinas. Efeitos colaterais: agitação, sudorese, palpitações, náuseas, perde de libido e ganho de peso.

Benzodiazepínicos

Inibem a transmissão de estímulos excitatórios para o cérebro. Promovem o relaxamento muscular, diminuindo os movimentos de pernas durante o sono. Efeitos colaterais: Apresentam efeito prejudicial ao sono profundo, podem exa-cerbar sintomas depressivos e promover dependência.

Analgésicos

Não são curativos na Fibromialgia, mas são muito úteis no seu tratamento. Reduzem a dor a um ponto que permita aos pacientes realizarem suas tarefas da vida diária, principalmente atividade física.

Exercício físico e fibromialgia

Atualmente, a Atividade Física é vista pela comunidade médica como uma forma vital de tratamento para a Fibromialgia. Muitos estudos já demonstraram esse fato. Entretanto, muitas pessoas já tentaram realizar Atividades Físicas variadas, mas vários são os percalços nesta jornada. Algumas pessoas não conseguem se exercitar, porque suas dores pioram, outros acabam não vendo grandes benefícios com a prática e esses fatores levam a desânimo e abandono da atividade física como um todo, o que é extremamente prejudicial.

Contudo, a Atividade Física melhora a disposição, o sono, ajuda a lidar com o estresse e exerce efeito benéfico sobre a dor.

Segundo alguns autores, a Fibromialgia não melhora sem a Atividade Física. Para aquelas pessoas que não gostam de fazer exercício, é recomendado então ver a atividade física como um “remédio” e entender que isso é necessário para o seu bem-estar.

Pessoas com Fibromialgia parecem necessitar de um período maior e mais esforço pessoal para adaptação a um programa de exercício. Por isso, a progressão das cargas deve ser mais lenta que o habitual. Além disso, as pessoas podem piorar nas primeiras 8 semanas.

Metodologia

O treinamento deverá ser o mais individualizado possível. A prescrição do treinamento Aeróbico deverá ser o mais importante para pessoas com a síndrome da Fibromialgia. Recomenda-se a prescrição da intensidade entre 50% e 55% da Frequência Cardíaca de Reserva (FCR). A duração deverá ser prescrita gradualmente, ou seja, a pessoa inicialmente realizará de 5 a 10 minutos e progressivamente a duração deverá ser aumentada.

O treinamento de força é seguro e poderá ser prescrito com cuidado. As cargas deverão ser incrementadas progressivamente e sempre que houver piora dos sintomas, as mesmas deverão ser diminuídas. A prescrição do treinamento de força deverá englobar exercícios que recrutem os grandes grupos musculares, com características funcionais e baixa intensidade. Pessoas com a síndrome da Fibromialgia não toleram bem as contrações excêntricas. Como medida de cautela, o professor poderá auxiliar nessa fase do exercício. Exercícios acima da linha dos ombros e da cabeça, como desenvolvimento, abdução de ombros e puxada no pulley, não são bem tolerados e devem ser evitados.

O treinamento de flexibilidade demonstrou apresentar melhoras, mas em comparação aos exercícios aeróbicos, parece ser menos eficaz.

Referências

  • https://www.rheumatology.org/I-Am-A/Patient-Caregiver/Diseases
  • Schweinhardt P, Sauro KM, Bushnell MC. (October 2008). "Fibromyalgia: a disorder of the brain?". Neuroscientist. 14 (5): 415–21.
  • Alane B. Cavalcante, Juliana F. Sauer, Suellen D. Chalot, Ana Assumpção, Lais V. Lage, Luciana Akemi Matsutani, Amélia Pasqual Marques. A Prevalência de Fibromialgia: uma Revisão de Literatura.
  • The Journal of the American Osteopathic Association, September 2013, Vol. 113, 680-689. doi:10.7556/jaoa.2013.034.
  • Gracely R, Petzke F, Wolf JM, Clauw DJ “Functional Magnetic Resonance Imaging Evidence of Augmented Pain Processing in Fi-bromyalgia”. Arthritis Rheum 46:1333-1343, 2002.
  • Macfarlane GJ, McBeth J, Silman AJ: “Widespread body pain and mortaly: population based study”. BMJ 323: 662-665, 2001.