PROGRAMA NB FIT HIPERTENSÃO

Hipertensão Arterial

Criação - Prof. Guilherme Sá

Coordenação - Prof. Guilherme Noira

O que é a Hipertensão Arterial?

A Hipertensão Arterial é uma doença crônica, não transmissível, de natureza multifatorial, assintomática (na maioria dos casos) que compromete fundamentalmente o equilíbrio dos mecanismos vasodilatadores e vasoconstritores, levando a um aumento da tensão sanguínea nos vasos, capaz de comprometer a irrigação tecidual e provocar danos aos órgãos por eles irrigados. Esta elevação da tensão na parede dos vasos gera um aumento pressórica fazendo com que, o coração exerça um esforço maior que o necessário para que haja a circulação do sangue através dos vasos sanguíneos (Whitworth, 2003).

Epidemiologia

A pressão arterial elevada conhecida como hipertensão arterial sistêmica (HAS), é uma doença que acomete todas as classes sócias e éticas da nossa população, independente da constituição corporal do indivíduo (pode ser “gordo ou magro”).
Nos Estados Unidos da América em 2015 foi constatado que a HAS acometia um total de 69% dos pacientes que apresentavam o primeiro infarto agudo do miocárdio (IAM), 77% de acidente vascular encefálico (AVE) sendo 51% terminadas em óbito, 75% de insuficiência cardíaca (IC), também foi observado sua presença em 45% das mortes por questões cardíacas (Lim, 2012).

Estudos realizados em base populacional, em algumas cidades do Brasil, mostram prevalência de hipertensão arterial entre 22,3% a 43,9%. Com base nesses dados, podemos estimar que uma a duas pessoas a cada cinco são hipertensas, chegando a m ais de 50% na população que se encontra com mais de 60 anos (SBH, 2017).

Está no Brasil, esta patologia é responsável por 80% dos casos de AVE, 25% de insuficiência renal e 40% de IAM. E vem crescendo cada vez mais na população infantil/jovem atingindo valores próximos de 5% no Brasil. Em estimativa realizada em 2004, 35% da população brasileira acima de 40 anos estava hipertensa. Acredita-se que 20% da população mundial apresenta Hipertensão Arterial.

De acordo com Scala e colaboradores (2015), HAS acometeu 32,5% (36 milhões) de indivíduos adultos, mais de 60% dos idosos, contribuindo direta ou indiretamente para 50% das mortes por doença cardiovascular.

Classificação da Pressão Arterial

Analise os índices na tabela.

A pressão arterial é constituída de 2 momentos: o primeiro é quando há a contração do ventrículo esquerdo (VE), conhecida como sístole; e o segundo momento é quando há o relaxamento deste VE, conhecido como diástole. E para que estas pressões se encontrem em níveis considerados normais existe a necessidade de que elas obedeçam aos valores de classificação. A classificação das medidas da pressão arterial se torna necessária, para que haja um encontro de grupos que possuam características comuns para diagnóstico e tratamento. O quadro ao lado demonstra esta classificação:

Fonte: arquivos brasileiros de cardiologia (SBC, 2016)

ClassificaçãoPAS (mm Hg)PAD (mm Hg)
Normal≤ 120≤ 80
Pré-Hipertensão121-13981-89
Hipertensão estágio 1140 - 15990 - 99
Hipertensão estágio 2 160 - 179100 - 109
Hipertensão estágio 3 ≥ 180≥ 110

Causas da Hipertensão arterial

Principais causas e sintomas.

Conhecida como inimigo silencioso por não apresentar sintomas alarmantes ou claramente identificáveis, a HAS é uma das doenças cardiovasculares mais perigosas e nocivas da atualidade. Ainda não se sabe com exatidão as causas da Hipertensão Arterial. Entretanto, sabemos que muitos fatores de risco, tanto endógenos quanto exógenos podem ser igualmente responsáveis para o desenvolvimento dessa doença. Frequentemente se apresenta em conjunto com distúrbios metabólicos alterações em órgãos alvos, dislipidemia, obesidade, intolerância a glicose e diabetes mellitus (Weber, 2014).

Neste ponto cabe salientar que devido a sua etiologia, podemos classificar a HAS em 2 tipos: hipetensão primária e hipertensão secundária.

HAS primária ou idiopática é a forma mais comum de hipertensão, estando presente em um total de 95% dos casos de incidência da doença. E seu aparecimento se deve a uma interação entre hábitos de vida e carga genética. Dentre estes hábitos podemos destacar:

  • Idade
  • Sexo
  • Raça
  • Histórico Familiar
  • Consumo de sal
  • Obesidade
  • Tabagismo
  • Consumo de bebidas alcoólicas
  • Sedentarismo

Já a HAS secundária, é advinda de uma causa identificável tal qual:

  • Doenças renais
  • Transtornos endócrinos
  • Hiperparatireoidismo
  • Obesidade
  • Apneia do sono
  • Uso de remédios como: corticoides, anti-inflamatórios, drogas que exerçam ação de controle sobre o sistema nervoso simpático (cocaína e glucagon, por exemplo)
  • Antidepressivos

Tratamento medicamentoso para Hipertensão Arterial

Conheça os principais tratamentos.

O tratamento da HAS envolve tanto a utilização de fármacos como a adoção de um novo estilo de vida, que englobe a prática de exercícios físico, uma alimentação saudável e uma vida menos estressante.

Dentre os fármaso utilizados destam-se:

Beta-bloqueadores


Diminuem a frequência cardíaca tanto no repouso quanto em exercício. Causam hipotensão pós-exercício. A volta a calma do exercício deve ser realizada com cuidado e vagarosamente. Podem melhorar a tolerância ao exercício, desmascarando uma arritmia do miocárdio. A intensidade do exercício pode ser controlada através da escala subjetiva de esforço de Borg. Evitar utilizar a frequência cardíaca como parâmetro para controle da intensidade do exercício.

Inibidor da ECA


A renina é uma enzima secretada no Rim em resposta a fatores Cardiovasculares, tais como queda de pressão, depleção de Sódio ou uma queda do volume plasmático, provocando um aumento na pressão arterial. Esse medicamento age aumentando a concentração sanguínea de Angiotensina, que é convertida em Angiotensina II. Essa última causa o aumento na secreção de Aldosterona, o que intensifica a resistência periférica vascular, desenvolvendo a hipertensão. O inibidor da ECA, evita a conversão de Angiotensina I em Angiotensina II, evitando o aumento de Pressão. Geralmente não apresentam alterações na frequência Cardíaca. A hipotensão pós-exercício, muitas vezes, se apresenta mais acentuada.

Vasodilatadores


Causam hipotensão pós-exercício. Recomenda-se realizar uma volta à calma mais duradoura. Alguns autores relatam que a frequência Cardíaca pode ter um ligeiro aumento, tanto em repouso, quanto em exercício.

Diuréticos


Geram uma diminuição do volume sanguíneo e consequentemente desidratação, principalmente em exercício. Realizar uma hidratação adequada. Geralmente não apresentam alterações na frequência Cardíaca. Os diuréticos ainda podem causar uma redução de potássio, resultando em arritmias. Recomendar uma correta ingestão de alimentos ricos em potássio antes da atividade física.

Exercício físico e hipertensão arterial

A HAS não tem cura, com tudo apresenta tratamento para ser controlada. Somente o médico poderá determinar o melhor método para cada paciente, mas, além dos medicamentos disponíveis atualmente, é imprescindível adotar um estilo de vida saudável. Mudanças nos hábitos alimentares como a redução no consumo de sal assim como, a ingestão de alimentos gordurosos é um paço muito importante. Porém, a atividade física vem se apresentando como um dos principais meios de tratamento não farmacológico para pacientes portadores de HAS, estando fortemente associada ao aumento na esperança e qualidade de vida destes pacientes. A prática regular de atividade física ajuda a manter a pressão arterial dentro dos valores normais supracitados, reduz os níveis de açúcar no sangue, controla a massa corporal, melhora a circulação sanguínea, otimizando, de uma forma geral, o bem-estar do paciente. A prática de atividades físicas também leva os indivíduos que as praticam a responder melhor a situações de estresse psicológico, tendo uma melhor resposta da Pressão arterial e da frequência cardíaca do que o indivíduo sedentário.

Muitos estudiosos observaram ainda que logo após uma única sessão de Exercícios Físicos a pressão arterial se encontra abaixo dos níveis de repouso e esse comportamento vem sendo chamado de Hipotensão pós-exercício.

A hipotensão pós-exercício permanece por até 24 horas, inclusive em indivíduos da terceira idade. Essa hipotensão é mais significativa em indivíduos hipertensos.

A magnitude e a duração da Hipotensão pós-exercício está diretamente relacionada à intensidade e duração da atividade física. A frequência semanal, modalidade, duração e intensidade recomendada do exercício em geral são as mesmas adotadas para indivíduos de baixo risco. Porém, segundo o Colégio Americano de Medicina e Exercício, o treinamento com exercícios em intensidades mais baixas (40% a 60% VO2 máximo) parece acarretar uma redução tão acentuada ou até maior do que exercícios em intensidades mais altas.

O treinamento de força não é recomendado como a fonte primária de treinamento com exercícios para os indivíduos hipertensos. Com exceção do treinamento de força em circuito, o treinamento de força nem sempre se revelou capaz de baixar a pressão arterial. Dessa forma, o treinamento de força é recomendado como componente de um programa de aptidão bem elaborado, mas não quando executado independentemente (ACSM, 2010).

Todos esses fatores nos deixam claro a importância que a atividade física como uma das formas de tratamento da HAS, estando sua prática relacionada a melhores condições de vida das pessoas que possuem esta patologia. Porém, é sempre bom deixar claro que a atividade física por si só não substitui o tratamento com fármacos e sim, serve como uma forma de reforçar este tratamento. A utilização dos fármacos, a prática de atividades físicas e a reeducação alimentar se caracterizam como a melhor forma de tratamento que um paciente pode ter no controle da HAS, trazendo enormes resultados positivos para estes.

Metodologia

O programa de treinamento desenvolvido para o Hipertenso é composto por um planejamento de 3 a 5 sessões semanais de Atividade Aeróbico com duração entre 30 e 40 minutos em uma Intensidade de 40% a 55% do RVO2. É recomendado que o cliente faça caminhada, bicicleta ou transport, respeitado outras possíveis limitações, como por exemplo, limitações Ortopédicas.

O treinamento de força é realizado utilizando o método alternado por seguimento, ou seja, o cliente realiza exercícios de Membros Superiores e Membros Inferiores alternadamente. A intensidade do treinamento de força utilizado é de 50% a 60% de 1 Repetição Máxima.

O treinamento de flexibilidade é realizado sempre no final das sessões de treinamento, promovendo uma volta a calma mais adequada a esse perfil de cliente.

Referências

  • Whitworth, JA; International Society of Hypertension Writing Group (2003). «2003 World Health Organization (WHO)/International Society of Hypertension (ISH) statement on management of hypertension.» (PDF). J Hypertens (em inglês). 21 (11): 1983-92. PMID 14597836
  • http://www.sbh.org.br/geral/oque-e-hipertensao.asp
  • Lim SS, Vos T, Flaxman AD, Danaei G, Shibuya K, Adair-Rohani H, et al. A comparative risk assessment of burden of disease and injury attributable to 67 risk factors and risk factor clusters in 21 regions, 1990-2010: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2010. Lancet. 2012;380(9859):2224-60. Erratum in: Lancet. 2013;381(9867):628.
  • Scala LC, Magalhães LB, Machado A. Epidemiologia da hipertensão arterial sistêmica. In: Moreira SM, Paola AV; Sociedade Brasileira de Cardiologia. Livro Texto da Sociedade Brasileira de Cardiologia. 2ª. ed. São Pauilo: Manole; 2015. p. 780-5.
  • Weber MA, Schiffrin EL, White WA, Mann S, Lindbolm LH, Venerson JG, et al. Clinical practice guidelines for the management of hypertension in the community: a statement by the American Society of Hypertension and the International Society of Hypertension. J Hypertens. 2014;32(1):3-15.
  • Guidelines for Exercise Testing and Prescripition. Eighth Edition. Lippincott Williams e Wilkings, 2010.