PROGRAMA NB FIT MENISCO

Introdução

Criação e Coordenação - Prof. Guilherme Noira

Os meniscos são estruturas fibrocartilaginosas e de formato circular em forma de meia lua. Cada joelho possui dois meniscos, um na parte interna (menisco medial) e outro na parte externa (menisco lateral) e se localizam entre o fêmur e a tíbia. Juntos, eles recobrem cerca de 2/3 da superfície articular e exercem função proprioceptiva através dos corpúsculos tipo I [Ruffini], II [Paccini] III [Golgi] e terminações nervosas livres que possibilitam ajustes motores através de respostas reflexas e voluntárias.

O menisco exerce funções importantes na articulação femorotibial e juntamente com o LCA participa da estabilização dinâmica do joelho. Sua lesão é responsável por disfunção articular em grande parte da população, podendo ocorrer de forma isolada ou associada a outras estruturas. O trauma meniscal está frequentemente associado à lesão do LCA. Acredita-se que a lesão do menisco pode ser decorrente do traumatismo inicial ou da instabilidade secundária à lesão prévia do LCA. A incidência de lesão meniscal em pacientes com instabilidade do LCA tem sido descrita na literatura variando de 35% a 97%. Alguns autores observaram que 82% dos pacientes apresentam lesão meniscal associada e acreditam que o tempo decorrido entre a lesão inicial e a cirurgia de reconstrução seja o principal fator que contribuiu para este alto índice de associação.

As funções do Menisco

Estabilidade articular


É um do mais complexos estabilizadores, centralizando os côndilos durante os movimentos, evitando sobrecarga do complexo articular.

Distribuição de forças


Distribui as pressões, fazendo com que o peso corporal não seja transmitido diretamente ao ponto de contato entre o fêmur e a tíbia.

Ameniza as pressões


Serve como uma espécie de almofada para amenizar forças, principalmente quando o joelho é submetido a forças excessivas.

Lubrificação


Facilita a nutrição da cartilagem, promovendo uma melhor distribuição do líquido sinovial por toda a superfície da cartilagem articular.

Lesão Meniscal

As lesões de menisco medial são 3 vezes mais comuns do que as lesões de menisco lateral e podem ocorrer por trauma indireto ou por processos de degeneração. A característica clínica da lesão é importante no sentido de propagação de tratamento e prognóstico da lesão.

Tipos de Lesão:

Menisco Discóide

É uma alteração congênita e se apresenta quase exclusivamente no menisco lateral. Sua etiologia é controversa e podem ser encontrados na sua forma completa ou incompleta e no também chamado tipo Wrisberg. O primeiro tipo é o menisco discóide com uma estrutura muito espessa nas bordas e uma parte central fina que se movimenta em forma de ondas quando o joelho faz flexoextensão. O segundo tipo é uniformemente espesso e apresenta um processo de degeneração mucóide na sua parte central. O tipo Wrisberg é espesso e largo, parecendo um menisco de forma normal, mas consideravelmente volumoso e com ausência de fixação do corno posterior.

Lesão Bico de Papagaio

É uma lesão peculiar e bastante encontrada no menisco lateral e nada mais é do que a associação de uma lesão horizontal com uma transversal.

Lesão Alça de Balde

Causada geralmente por uma força de torção sobre o joelho fletido ou em semi-flexão, a lesão se inicia como uma fenda longitudinal. Se a fenda se estende ao logo de todo o menisco medial dá origem a lesão a “alça de balde”. O fragmento se desloca para o meio da articulação de forma que o côndilo femural rola sobre a Tíbia com o fragmento meniscal interposto. A principal consequência deste lesão é a limitação ou bloqueio para extensão.

Sintomas

Conheça os principais sintomas de lesão no menisco.

  • Dor importante no momento da entorse, podendo ser acompanhada da sensação de estalido.
  • Bloqueio da movimentação do joelho.
  • Ressalto durante a movimentação do joelho.
  • Dor aguda ao agachar-se.
  • Edema e derrame articular no joelho.
  • Bloqueio da articulação em lesão “alça de balde”.

Prescrição do Treinamento Físico e Programa de Reabilitação

Importante! O programa de reabilitação para as lesões de Menisco, propostas pela NB FIT, só serão iniciadas após a liberação médica e encaminhamento do Fisioterapeuta.

Exercícios de Alongamento

Os exercícios de alongamento são permanentes durante todo o processo de reabilitação das lesões meniscais e são importantes pois reduzem as tensões musculares, estimulam os mecanoreceptores, aumentam o arco de movimento, ativa a circulação, diminuem o atrito entre as estruturas articulares e promovem o aquecimento articular.

Durante o processo de reabilitação, são responsáveis por até 60% da sessão de treinamento e são prescritos com 2 a 3 séries de 30 a 40 segundos de duração de cada estímulo.

Fortalecimento Muscular

Uma musculatura bem fortalecida é imprescindível para estabilizar uma articulação. São realizados exercícios de cadeia cinética fechada ou aberta, respeitando-se a amplitude de movimento, tempo de lesão, e cargas impostas. São importantes tanto o trabalho de resistência muscular quanto o trabalho de força dinâmica com devida progressão. Uma freqüência mínima de 3 vezes na semana, com a realização de 2 a 3 séries por exercício caracteriza uma prescrição de programa segura e eficiente.

Propriocepção

Propriocepção refere-se à percepção consciente e inconsciente do posicionamento articular. Os sinais proprioceptivos e os cinestésicos são transmitidos para a medula espinhal por meio das vias sensoriais aferentes. A informação é processada em nível do córtex cerebral, que devolve em resposta eferente motora. A esta resposta chamamos de controle neuromuscular.

Os programas de propriocepção devem ser individualizados e a condição física, os objetivos do aluno e o resultado da Avaliação devem ser considerados para elaboração do programa de treinamento.

Realizar carga sobre a articulação reconstruída transmitirá ao Sistema Nervoso Central informações aferentes concernentes a amplitude, velocidade e duração da carga.

Alguns estudos mostram que a ativação dinâmica conjunta do quadríceps e dos isquiotibiais pode reduzir a translação tibial por 200%, a rotação interna e externa por 80% e melhorar de 2 a 4 vezes a rigidez do joelho.

Detalhes importantes na prescrição do treinamento

Os programas de reabilitação e fortalecimento do joelho devem seguir uma progressão funcional. Critérios como a amplitude do movimento, a presença de derrame articular, o suporte de peso, a qualidade da marcha e a força e o controle dos membros inferiores devem ser considerados para assegurar uma progressão adequada do programa.

O paciente deve dominar uma atividade simples antes de avançar para uma atividade de maior exigência. Com a repetição, a atividade neuromuscular progride desde um controle motor consciente até um controle motor inconsciente. Além disso, os programas de treinamento devem abordar três níveis de controle motor: reflexos medulares, programação cognitiva e atividade do tronco motor. O treinamento também deve ser divido em três fases. Na fase 1, o objetivo principal é desenvolver a estabilização estática e a percepção proprioceptiva da articulação do joelho. Na fase 2, o sistema neuromuscular pode ser ainda mais estimulado pela progressão para atividades de estabilização dinâmicas. Na fase 3, o objetivo é estabelecer um controle neuromuscular reativo.

Referências Bibliográficas

  • Joelho - Articulação Central dos Membros Inferiores. Marcos Martins Amatuzzi. ROCA, 2004.
  • Lesões Esportivas - Diagnóstico e Administração. James G. Garrick e David R. Webb. ROCA, 2001.
  • Recuperação Musculoesquelética. Fabio Ganime e Carlos Eduardo Cossenza. Sprint, 2010.
  • Tratamento de Distúrbios Musculoesqueléticos Comuns. Darlene Hertling e Randolph M. Kessler. Manole, 2009.
  • Técnicas em Reabilitação Musculoesquelética. William E. Prentice e Michael L. Voight. Artmed, 2003.
  • Propriocepção. Angélica de Souza. Medsi, 2004.