PROGRAMA NB FIT OBESIDADE

O que é obesidade?

Criação - Prof. Guilherme Sá

Coordenação - Prof. Guilherme Noira

Segundo a Associação Brasileira de Estudos da Obesidade (ABESO, 2016), a obesidade se caracteriza pelo acumulo excessivo de gordura corporal (conhecido como tecido adiposo) no indivíduo a ponto de exercer uma influência negativa em sua saúde. Este quadro deriva da ingestão excessiva de calorias ao qual o organismo necessita para a sua manutenção e atividades do dia a dia.

Epidemiologia

Devido a sua prevalência cada vez maior ao redor do mundo, este distúrbio já vem sendo tratada como uma condição médica passível de precauções e tratamentos podendo serem até medicamentosos.

No Brasil estima-se que cerca de 18 milhões de pessoas sejam classificadas como obesas, e somando-se a isso os níveis de sobrepeso, podemos chegar a um montante de 70 milhões de indivíduas que estão acima do peso, o que é o triplo do valor de 3 décadas atrás.

Ao redor do mundo temos um nível de mortandade causada pela obesidade que vem subindo cada vez mais, chegando a um valor de 3,4 milhões de mortes de adultos ao ano. Um valor alarmante se consideramos que estas mortes são consideráveis evitáveis pela OMS. Na Europa o alarmante valor de
7,7% das mortes é causada pela obesidade, o que representa cerca de 1 milhão de pessoas por ano.

O grande problema da obesidade é que ela eleva a probabilidade de desenvolvimento de diversas doenças como doenças cardiovasculares, diabetes mellitus tipo 2 (DM2) alguns tipos de câncer, hipertensão arterial, osteoartrites, entre outros (Haslam e James, 2005). Se formos analisar este quadro amis a fundo verificaremos que a obesidade está presente na origem de 23% dos casos de doença arterial coronariana (DAC), 44% de DM2, e entre 10 e 14% de determinados casos de câncer (OMS). O excesso de gordura corporal está na origem de 64% dos casos de diabetes em homens e 77% dos casos em mulheres (NIjland, Stam , Seidell, 2009).

As patologias advindas da obesidade podem ser separadas em duas categorias: as atribuídas a elevação da massa adiposa; e as atribuídas ao aumento do volume e número das células adiposas. No primeiro tipo se enquadram a apneia do sono, osteoartites, preconceito social levando a distúrbios de imagem; já na segunda, temos resistência a insulina que pode levar a uma DM2, DACs, alguns tipos de câncer, problemas no fígado como doença hepática não alcoólica, estado pró-inflamatório e pró trombótico.

Classificação da obesidade

Veja na tabela.

Este quadro de obesidade é definido através da análise do índice de massa corporal (IMC), que é obtido pela divisão do peso corporal (massa do indivíduo) pela sua altura em metros ao quadrado: IMC = m / H2. Munido deste resultado é feita uma correlação com os níveis de periculosidade que este valor representa. Temos como exemplo o quadro a baixo:

Fonte: World Health Organization

IMC (KG/M2)ClassificaçãoObesidade Grau/ClasseRisco de Doença
<18,5Magro ou baixo peso0Normal ou elevado
18,5 - 24,9Normal ou eutrófico0Normal
25 - 29,9Sobrepeso ou pré-obeso0Pouco elevado
30 - 34,9ObesidadeIElevado
30 - 39,9ObesidadeIIMuito Elevado
>39,9Obesidade graveIIIMuitíssimo elevado

Observando a tabela vemos que um IMC superior a 24,9 já se caracteriza um fator preocupante uma vez que já se encontra com sobrepeso. Daí para valores maiores o risco a saúde só tende a elevar-se cada vez mais.

Causas da obesidade

O grande causador da obesidade é o estilo adotado como dieta ocidental onde há a predominância de alimentos processados, industrializados e fast foods ricos em conservantes, carboidratos, sódio e gordura. Como este tipo de alimento apresenta elevado nível de palatabilidade, eles se tornam muito mais atrativos para os consumidores deixando de ter um papel coadjuvante na alimentação para se tornarem “atores principais” (Flores, 2013).

O grande problema deste tipo de alimentação é que em sua maioria apresentam calorias vazias, ou seja, alimentos com baixo valor calórico que satisfazem momentaneamente, mas não nutrem da maneira devida. Isto leva a um estado de constante fome o que faz com que seja ingerido uma quantidade cada vez maior deste tipo de alimentos criando assim um ciclo vicioso. Ciclo este, que leva a um acumulo de calorias contidos nesses alimentos o que somado ao baixo índice de atividade física levam a um estado de sobrepeso crescente culminado na obesidade (Ha e Kim, 2016).

É claro que também temos a obesidade oriunda de distúrbios genéticos, transtornos psíquicos e outros fatores médicos em geral, porém estes casos são muito pequenos quando comparados a obesidade gerada a dieta hiper energética.

Fatores de risco

Temos como fatores de risco da obesidade:

  • Dieta
  • Estilo de vida sedentário
  • Genética
  • Determinantes sociais
  • Transtornos psíquicos
  • Desnutrição nos primeiros anos de vida
  • Alguns tipos de medicamentos

Tratamento recomendado

Conheça alguns tratamentos.

Existem várias formas de para abordar a obesidade em vias de tratamento como o uso de medicamentos, cirurgia e mudança no estilo de vida.

Estilo de vida

O melhor tratamento sem sombra de dívidas é uma mudança nos hábitos diários como a inserção de uma rotina de exercícios físicos que englobem a prática contra resistência e o exercício aeróbico e a principal alteração de todas, a mudança nos hábitos alimentares. O interessante não é entrar em dietas milagrosas que oferecem benefícios miraculosos a curto prazo em troca de passar fome, mas sim, fazer uma reeducação alimentar onde os alimentos de baixo valor biológico serão progressivamente substituídos por alimentos de maior valor biológico para que assim os resultados sejam alcançados com menor sofrimento e se tornem mais duradouros, entrando de vez no modus operandi do indivíduo.

Medicamentos

A utilização de medicamentos para o tratamento da obesidade se apresenta como uma alternativa perigosa uma vez que, os fármacos utilizados irão atuar diretamente no cérebro podendo provocar graves reações adversas. Reações estas como: estado constipativo, taquicardia, insônia, elevação na pressão arterial, nervosismo, etc. Ou seja, utilizar fármacos para redução de peso exerce efeito modesto e temporário podendo levar a dependência.

Cirurgia

Pessoas que apresentem um nível muito elevado de riscos provenientes da obesidade como diabetes e hipertensão, se tornam elegíveis para o procedimento de cirurgia bariátrica afim de reduzir as dimensões estomacais. Porém, por ser uma mutilação, é um procedimento que oferece muitos riscos à saúde ocorrendo complicações em 17% dos casos e em 7% dos casos há a necessidade de uma nova intervenção cirúrgica (Chang, 2014).

Exercício físico e obesidade

A prática de exercício físico se fundamento como um dos pilares de sustentação do tratamento da obesidade, onde o exercício físico se apresenta como um catalisador para a redução de peso trabalhando com concordância com a dieta. O exercício físico também exerce um importante papel psicológico para o tratamento do obeso, fazendo com que se sinta mais motivado e inserido do processo de redução de peso, além de além de liberar substâncias neuroquímicas que inibem o apetite e elevação a sensação de prazer e bem-estar.

Metodologia

É recomendado que (em cada seção) o aluno faça caminhada, bicicleta ou transport, respeitado outras possíveis limitações, como por exemplo, limitações ortopédicas e cardíacas.

O treinamento de força é realizado utilizando o método alternado por seguimento, ou seja, o cliente realiza exercícios de membros superiores e membros inferiores alternadamente. A intensidade do treinamento de força utilizado é de 50% a 60% de 1 Repetição Máxima.

O treinamento de flexibilidade é realizado sempre no final das sessões de treinamento, promovendo uma volta a calma mais adequada a esse perfil de cliente.

Referências

  • ABESO. Diretrizes brasileiras de obesidade. 2016; I:1-188.
  • Organização Mundial de Saúde (2000). Technical report series 894: Obesity: Preventing and managing the global epidemic. (PDF). Genebra: [s.n.] ISBN 92-4-120894-5
  • Haslam DW, James WP (2005). «Obesity». Lancet. 366 (9492): 1197–209. PMID 16198769. doi:10.1016/S0140-6736(05)67483-1
  • Nijland ML, Stam F, Seidell JC (Junho de 2009). Overweight in dogs, but not in cats, is related to overweight in their owners». Public Health Nutr. 13 (1): 1–5. PMID 19545467. doi:10.1017/S136898000999022X
  • Flores LS, Gaya AR, Petersen RD, Gaya A. Trends of underweight, overweight, and obesity in Brazilian children and adolescents. J Pediatr (Rio J) 2013; 89:456-461.
  • Ha KH, Kim DJ. Epidemiology of Childhood Obesity in Korea. Endocrinol Metab (Seoul) 2016.
  • Chang SH, Stoll CR, Song J, Varela JE, Eagon CJ, Colditz GA (2014). «The effectiveness and risks of bariatric surgery: an updated systematic review and meta-analysis, 2003-2012.